Gazeta do Povo

O Operário é o campeão Brasileiro da Série D. Após vencer a partida de ida por 5 a 0, o Fantasma acabou sofrendo um derrota em casa por 1 a 0, na noite deste domingo (10), mas o placar não foi suficiente para tirar a taça das mãos do time de Ponta Grossa. O gol da equipe visitante foi do meia Tiago Lima.

A torcida novamente deu show nas arquibancadas e 8.830 presentes comemoraram o título inédito para o Operário, que nunca foi campeão de uma competição nacional. A façanha é importante também para o futebol paranaense, que agora tem títulos de todas as séries do Brasileirão.

A partida também teve uma homenagem aos familiares do goleiro Danilo, uma das vítimas da queda do avião da Chapecoense. A mãe do goleiro, dona Ilaídes, entregou ao goleiro Simão uma camisa com o número um e com o nome de Danilo nas costas. O arqueiro defendeu o Fantasma no começo de carreira.

Jogo
Com a vantagem da partida de ida, o Operário jogou com tranquilidade. O time priorizou a marcação e o toque de bola, mas também chegou com chutes de fora da área de Lucas Batatinha, Quirino e Jean Carlo, que levaram perigo ao goleiro Dasaev.

Porém, o time levou um susto aos 24 minutos do primeiro tempo. Após cobrança de escanteio, a bola ficou viva na área e o meia Tiago Lima, livre, abriu o placar para o Globo-RN.

No segundo tempo, o Operário voltou com mais ímpeto e teve chances de empatar e até virar o jogo, mas o goleiro Dasaev garantiu a vitória para o Globo-RN. No final, isto pouco importou, com a festa tomando conta do estádio e de toda a cidade de Ponta Grossa.

Confira quem foram os destaques da partida

Craque – Dasaev
O goleiro do Globo-RN foi determinante para o resultado. Ele foi seguro em baixo da meta e defendeu vários chutes do Operário que poderiam ter dado a vitória ao time de Ponta Grossa.

Bonde – Cosme
O atacante do Globo-RN teve uma atuação apagada e não conseguiu contribuir para o time no ataque. Ele, inclusive, recebeu cartão amarelo em um contra-ataque do Operário.

Guerreiro – Lucas Batatinha
O atacante deu trabalho para os defensores do Globo-RN. Criou várias jogadas, arriscou de fora da área, sofreu faltas, só não conseguiu balançar as redes.

Gols – 1º tempo
0 x1 (24 min): Após cobrança de escanteio, Tiago Lima aproveita a oportunidade e abre o placar para a equipe visitante.

Cartões
Amarelos: Serginho Paulista e Quirino (Operário); Angelo, Erivaldo e Cosme (Globo)

Por Luana Kaseker (Gazeta do Povo – 10/09/2017)

Se a comemoração do acesso à Série?C varou a madrugada e continuou até o amanhecer, imagine só como será a festa em Ponta Grossa neste domingo?(10), quando o Operário enfrenta o Globo-RN para carimbar o título de campeão da Série D. O duelo começa às 19 horas, no Estádio Germano Krüger.

Depois de aplicar 5 a 0 no jogo de ida, em Ceará-Mirim, no último domingo (3), o Fantasma pode até perder por 4 a 0 que mesmo assim levantará uma taça pela segunda vez em 105 anos de história. Só um desastre impedirá a festa em preto e branco.

A primeira conquista aconteceu no dia 3 de maio de 2015, no Campeonato Paranaense. Na decisão contra o Coritiba, o time de Vila Oficinas venceu com um placar agregado de 5 a 0 e festejou, literalmente como nunca antes, diante de 22 mil pessoas no Couto Pereira.

Desta vez, a festa tem tudo para começar em casa, no Germano Krüger – e não será necessário esperar o dia seguinte para que ela fique completa. Depois, certamente ganhará as ruas da cidade, sem hora para acabar.

A euforia do Fantasma também significará uma façanha para o futebol paranaense, que nunca conquistou um título da Quarta Divisão, criada em 2009. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais já alcançaram conquistas em todas as divisões.

Com ou sem título, o retorno à Série C?após 25 anos já merece um capítulo à parte na história do Operário?Ferroviário, que foi da glória ao inferno após sagrar-se campeão estadual dois anos atrás. Na temporada 2016, que tinha tudo para ser ainda mais positiva, o clube foi rebaixado no Paranaense.

O campeão havia caído e, pior, não voltou em 2017. Apesar da melhor campanha na primeira fase da segunda divisão estadual, o time ficou pelo caminho no quadrangular final – União de Francisco Beltrão e Maringá subiram.

Um fracasso enorme, que certamente motivou o elenco comandado pelo técnico Gerson Gusmão – auxiliar de Itamar Schülle em 2015 – a trabalhar dobrado para fazer história com o acesso nacional.

E que está agora prestes a parar Ponta Grossa pela segunda vez.

Confira todos os jogos do Operário na Série D

Primeira Fase – Grupo A15
Operário 1 x 0 Brusque
São Paulo-RS?1 x 0 Operário
Operário 1 x 0 XV?de Piracicaba
XV?de Piracicaba 0 x 1 Operário
Operário 3 x 1 São Paulo-RS
Brusque 1 x Operário

Segunda Fase
Desportiva 0 x 2 Operário
Operário 2 x 1 Desportiva

Oitavas de final
Espírito Santo 1 x 0 Operário
Operário 1 x 0 Espírito Santos – vitória nos pênaltis por 4 x 2

Quartas de final
Maranhão 1 x Operário
Operário 2 x1 Maranhão – acesso à Série C?garantido

Semifinal
Atlético-AC?0 x 0 Operário
Operário 2 x 0 Atlético-AC

Final
Globo-RN?0 x 5 Operário
Operário x Globo-RN (10/9/2017)

A torcida do Operário e Ponta Grossa estão vivendo um sentimento misto de festa, expectativa e ansiedade. Mas a angústia tem data definida para se transformar em alívio: segunda-feira (14), às 21h, no Germano Krüger, no duelo contra o Maranhão pelas quartas de final da Série D, que pode sacramentar o acesso do Fantasma à Série C depois de 24 anos.

Após vencer por 3 a 1 no duelo de ida, em São Luís, o Operário está com um pé na vaga na semifinal da Série D – e consequentemente o acesso para a Terceirona. Somente um desastre estraga a festa armada na cidade, já que o empate ou até a mesmo uma derrota por um gol de diferença são suficientes.

A última vez que o Operário disputou a Série C foi em 1993. Desde então, altos e baixos marcaram a história do clube, com destaque maior para o título do Estadual, em 2015, com direito a goleada no Coritiba em pleno Couto Pereira. O jogo mais importante dos últimos anos faz torcedores e simpatizantes do Fantasma saírem de Curitiba em direção aos Campos Gerais para apoiar o clube de 105 anos.

“Nossa caravana está indo em aproximadamente 15 pessoas. Tem gente que é de Ponta Grossa, de Curitiba, torcedores do Atlético. Em Ponta Grossa já estão mais ou menos em clima de comemoração. Só não comemoramos porque sabemos o time que temos”, revela Sophia Suh, torcedora que com frequência faz bate e volta para acompanhar o Operário. “Se conseguirmos o acesso, voltamos para Curitiba lá pelas 3h”, prevê.

A publicitária de 25 anos é natural em São Paulo, criada em Ponta Grossa, mas reside em Curitiba e tem dificuldade para explicar o fanatismo e o que a levaram torcer pelo clube. “Fui ao estádio pela primeira vez aos 10 anos com meu pai. Não sei porque torço para o Operário. É que eu gosto de torcida raiz. E quem torce para o Operário, torce de verdade. Tenho o Fantasma tatuado no dedo, já levei a camisa do Operário para ser benzida na Ásia”, conta a torcedora, que tinha apenas dois anos na última vez que o clube esteve na Série C.

A diretoria do Operário manteve o preço promocional de ingressos a R$ 30 (R$ 15 meia) para lotar a os 8 mil lugares do Germano Krüger. E como de costume, caso o acesso seja concretizado, a torcida irá invadir a avenida Vicente Machado, uma das principais da cidade, assim como fez no título paranaense.

Os próprios jogadores admitem que é difícil segurar a ansiedade que tomou conta de Ponta Grossa. Mas o volante e capitão Chicão cobra do elenco que seja evitado o clima de oba-oba. “Temos que administrar esse sentimento. Não vamos dar brecha ao adversário para coroar a cidade com o tão sonhado acesso”, afirma o jogador.

Por Daniel Malucelli (Gazeta do Povo – 13/08/2017)