Um roteiro cheio de falhas e arrastado, aos trancos e barrancos. A trilha percorrida pelo Operário até a estreia no Campeonato Paranaense foi assim no ano passado e se repete este ano. Se no ano passado o início trôpego podia encontrar explicativa na inexperiência de quem retornava à elite do futebol estadual após um intervalo de quase 15 anos, hoje, o clube repete os mesmos erros sob um ‘projeto’, anunciado com metas ambiciosas para os próximos anos.

O Operário faz hoje, às 17 horas, um jogo-treino contra o Cerro Porteño no CT do Caju, em Curitiba. A partida estava, até a tarde de sexta-feira, agendada para o Germano Krüger, porém, a Federação Paranaense vetou a partida. Isto porque as exigências feitas durante a primeira vistoria da FPF, na segunda semana de dezembro – que não aprovou o estádio, embora tenha tecido elogios sobre a praça – e que exigiu reparos a serem feitos. Sem as adequações, aliada à falhas no laudo CREA, como falta da assinatura de um engenheiro responsável e o pagamento de taxa, a casa do Operário está interditada para receber jogos oficiais.

Foto: DIFICULDADES Amilton Oliveira admite algumas dificuldades com elenco reduzido e ainda vê possibilidade de seu time estrear longe de casa

DIFICULDADES Amilton Oliveira admite algumas dificuldades com elenco reduzido e ainda vê possibilidade de seu time estrear longe de casa

E tal qual o início do ano passado, por falhas no estádio, o time ponta-grossense pode ser obrigado a estrear no Paranaense longe de sua torcida. Enquanto não cumprir com as exigências da FPF, o GK seguirá vetado.

Dentro de campo, o cenário também é nebuloso. Se para o começo de 2010 a diretoria apostou em trazer alguns jogadores das regiões norte e nordeste do Brasil juntamente com uma base oriunda do Acesso, este ano o clube decidiu manter parte do elenco, mas apostou em uma nova parceria, com empresários do Rio de Janeiro, e que traz a tira-colo Jair Pereira, na função de ‘manager’.

No ano passado o planejamento de elenco durou pouco tempo, com déficit para alguns setores além de poucas opções, a diretoria, com poucas rodadas de campeonato, fez dispensas e novas contratações.

Para este ano, a perspectiva não é diferente, o elenco de Amilton Oliveira ainda é carente em alguns setores, e o treinador ainda aguarda reforços de última hora, sobretudo para o meio de campo e ataque. Para piorar, Diego Palinha, meia-atacante, deve deixar o clube, por conta de um contrato em vigência com seu ex-clube.

“Isso é uma dificuldade geral dos clubes não tão grandes. Acredito que a diretoria faz o esforço para conseguir jogadores, mas o mercado é difícil para times de pequeno e médio porte”, crê Amilton Oliveira.

Sem testes
Outro problema durante a preparação do Operário para o Estadual é a falta de testes antes da estreia no Paranaense. Se no ano passado o clube fez amistosos contra time amadores antes de começar a competição, este ano, exceto compromissos contra um time amador de Reserva e o Serrano, ainda embrionário para a disputa da Divisão de Acesso, a preparação inclui dois jogos-treinos contra Iraty e o de hoje, diante o Cerro Porteño. “Eu preciso jogar. De todos os testes que tivemos, o que valeu mesmo foi o de quarta-feira (em Irati), os demais não deram para avaliar o que tenho em mãos”, disse Amilton.

O caminho tortuoso do Operário antes do Estadual

Novembro

Novela com novo técnico
Após o fim da Série D, a diretoria demorou em confirmar a saída do técnico Pedro Caçapa. Em seguida, prometeu o anúncio do substituto ‘para os próximos dias’, fato que ocorreu um mês depois.

Parceria sem nome
Já terceirizado, o futebol profissional do Operário anunciou uma segunda parceria. Sem revelar os nomes e detalhes dos novos apoiadores, os empresários supostamente ligados ao futebol do Rio de Janeiro, trariam jogadores da base dos ‘grandes’ cariocas.

Dezembro

Pré-temporada embaixo d’água
Escolhida para receber a pré-temporada do Operário, a cidade de Reserva ofereceu estádio, ginásio e boa infraestrutura. O que não era esperada era a chuva, ininterrupta durante quase toda a estadia alvinegra, o que atrapalhou a preparação e forjou o elenco ir até ginásios e campos em Caetano Mendes.

Site e uniformes só depois

O departamento de marketing do clube convocou uma coletiva anunciando a apresentação do novo uniforme e site do time. As camisas apresentadas serão usada na estreia no dia 16, mas só estarão à venda semanas depois da primeira partida. O próprio fornecedor de material esportivo admitiu que as vendas de camisas dependem muito do desempenho do time nas primeiras partidas. Já o site, apesar de apresentado, até hoje não não foi ao ar.

Janeiro

De volta para o Rio
Jogadores vindos das categorias de base dos quatro maiores times do Rio de Janeiro vieram ao Operário, para ‘avaliações’. Após alguns dias sob observação do técnico Amilton Oliveira, quase nenhum destes atletas agradou e voltaram para o Rio.

Debandada antes do campeonato
Se a diretoria já encontrava problemas em fechar seu elenco, a situação ficou pior com saídas de jogadores antes mesmo da estreia. Contratados como principais reforços, Tinoco, Ícaro, e ao que tudo indica, Diego Palinha, deixaram o Operário para defender outros clubes.

Torcida não vê o time
O que era para ser um grande amistoso internacional de apresentação do Operário para sua torcida, se transformou em um jogo-treino longe de casa, sem nenhuma torcida. O amistoso contra o Cerro Porteño que aconteceria hoje, no Germano Krüger, foi transferido para Curitiba porque o estádio ponta-grossense foi vetado pela Federação.

Amilton Oliveira ensaia time com um atacante
Mesmo sem ser em sua casa, o jogo-treino de hoje, às 17 horas, contra o Cerro Porteño, será o primeiro e único grande teste do Operário antes do começo do Paranaense, no próximo domingo, dia 16, contra o Coritiba – caso não siga vetado – no Germano Krüger.

“O ideal seria jogar (o amistoso contra o Cerro Porteño) aqui, para a gente se adequar ao gramado, ao estádio”, disse Amilton Oliveira, ainda na tarde de sexta-feira, poucos minutos depois de receber a notícia de que a partida não seria mais realizada em Ponta Grossa.

Ainda assim, o técnico deve usar o compromisso de hoje servirá para o treinador traçar um esboço do time que começará jogando contra o Coritiba. A julgar pelo último treino coletivo, na sexta-feira à tarde, Amilton deverá optar pelo 4-3-2-1, variação do 4-4-2, esquema tático admitido pelo treinador como de sua predileção.

A linha defensiva deverá ser formada pela dupla de zaga Vinícius e André, juntamente com os alas Lisa e Gilson. No meio de campo, a opção foi por três volantes: Zé Leandro, que atua de forma mais recuada; Cambará e Serginho Paulista, que ganhou a posição de titular na sexta-feira. Grilo seria o meia, e mais à frente Rilber apareceria com a função de ligar o meio ao ataque, que tem Hevandro como titular. Amilton ainda testou uma outra variação, com Mateus no lugar de Rilber.

Por Jeferson Ausuto (Diário dos Campos – 9/1/2011).

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