Com déficit mensal de R$ 50 mil, tradicional clube do estado completa 100 anos na humildade e lamentando a falta de apoio
Um dos decanos do futebol paranaense, o Operário Ferroviário, de Ponta Grossa, entra no ano do centenário com poucos motivos para festejar.
Segundo time mais antigo do estado (perde apenas para o Coritiba, com 102 anos), a tradicional agremiação passa por momentos conturbados fora de campo.
Às vésperas de comemorar 100 anos de existência, no dia 1.º de maio, o time convive com a desconfiança da torcida e com um déficit de R$ 50 mil por mês nos cofres do clube.
Os quatro patrocinadores que ajudam o time depositam mensalmente um total de R$ 47 mil. Porém, apenas a folha salarial dos jogadores e da comissão técnica do clube é mais do que o dobro desse valor: R$ 160 mil.
E as despesas não param por aí. São R$ 20 mil em aluguéis de apartamentos utilizados pelos atletas e mais R$ 20 mil para alimentação. “Só aí já dá R$ 200 mil. O furo nos cofres é muito grande. Os próprios dirigentes tiram dinheiro do próprio bolso para custear os gastos”, garante o presidente da equipe dos Campos Gerais, Carlos Roberto Iurk.
A principal fonte de renda vem dos direitos de transmissão dos jogos – um aporte mensal de R$ 60 mil.
Representante da cidade apelidada de “berço do futebol no Paraná”, o Fantasma de Vila Oficinas, como é conhecido, sofre para conseguir um patrocinador máster, que possa bancar o clube no Campeonato Paranaense e também na Copa do Brasil. Nenhum empresário do município aceitou desempenhar o papel.
A alternativa poderia vir de fora da cidade. No entanto, nenhuma empresa de outro município aceitou a tarefa.
“A gente está enviando propostas, mas até agora nenhuma resposta positiva”, lamenta Iurk.
A esperança do presidente é que o clube possa emplacar boa campanha no Estadual. Dessa forma, a renda das bilheterias seria fundamental para colocar as contas do Operário em ordem.
“A gente espera que o torcedor venha [ao estádio] e prestigie a equipe. A torcida é nosso principal patrocinador. Por enquanto, nós estamos perdendo noites de sono pensando na dificuldade financeira que enfrentamos”, enfatiza.
O objetivo é encher o estádio Germano Krüger, cuja capacidade é de aproximadamente 8 mil pessoas. “Se conseguisse ficar na média de 6 mil torcedores por jogo já seria o ideal”, aponta o diretor de futebol, Maurício Barbosa. No ano passado, a média foi de 4.226 pagantes, a terceira melhor do estado.
Contudo, ele sabe que depender da receita de bilheteria está longe do ideal. “O que a gente percebe é que os empresários da própria cidade não têm interesse em apoiar o clube”, enfatiza.
Torcida desconfiada com o time
A torcida operariana deixa as comemorações do centenário de lado e cobra um bom desempenho dentro das quatro linhas. “A gente começa esse ano, assim como os outros. Não acreditamos que será o ano da rendição do Fantasma. Estamos apreensivos”, relata o presidente da torcida organizada Trem Fantasma, Alexandre Hornung.
Já o presidente da Fúria Jovem, outra torcida do Operário, Jorge Vieira Lopes, é mais enfático. “A administração do time não está nada boa. O furo nos cofres pode refletir dentro de campo. É um clube profissional com história, mas que está sendo tratado como amador fora de campo”, reclama o torcedor.
Para Lopes, se o time não conseguir demonstrar resultados no gramado, o reflexo será desastroso nas arquibancadas. “A gente sabe que o time depende da renda da bilheteria. Mas se não jogar bem, a torcida não comparece. Esperamos que o time não caia bem no ano do centenário”, diz. O Operário estreia no Estadual fora de casa contra o Paranavaí, no dia 22 de janeiro. O primeiro jogo em casa será válido pela segunda rodada, no dia 25, contra o Atlético. O time também participa pela primeira vez da Copa do Brasil. A equipe ponta-grossense encara o Juventude (RS) no dia 7 de março.
Calendário
Outra dificuldade do Fantasma é a luta por um calendário no segundo semestre. O time terá de figurar entre os primeiros colocados no Estadual para a disputa da Série D, em agosto. No entanto, a previsão é de que o Estadual encerre em maio. Dessa forma, o time ficaria dois meses sem jogos.
“É uma dificuldade porque temos de arcar com a folha salarial dos jogadores nesse período. O que estamos estudando é fazer um contrato de risco com os atletas até o fim da 1ª fase da Série D. Se passar de fase, renova-se o contrato”, diz o presidente Iurk.
O contrato dos atuais 27 boleiros do elenco expira em junho. “Mas a maioria deve topar permanecer para a Série D. Antes temos que garantir a classificação”, diz.
Por Diego Antonelli (Gazeta do Povo – 15/1/2012).
Três dias depois de vencer o Paulista e se classificar na Copa do Brasil, Rubro-Negro é surpreendido em casa pelo Operário e perde por 2 a 0
O primeiro grito de “vergonha” da torcida atleticana veio ainda no primeiro tempo, pouco antes dos 40 minutos. Na segunda etapa, as críticas só pioraram. Sobrou para dirigentes, jogadores… Houve até “olé” para as triangulações do Operário. O ápice veio após a partida, quando cerca de 50 torcedores correram até o estacionamento da Arena para esperar o time, e entraram em conflito com a Polícia Militar.
A indignação dos rubro-negros no sábado, mais do que pelo 2 a 0 imposto pelo Fantasma, é reflexo direto da classificação na Copa do Brasil. Na tarde fria, 10 mil torcedores foram ao estádio empolgados pela boa atuação do meio de semana, fora de casa, contra o Paulista. E saíram decepcionados ao praticamente dar adeus ao Paranaense.
O time de Ponta Grossa, ao contrário, tomou o segundo lugar do Atlético e saiu falando em buscar o título do segundo turno para decidir o campeonato com o Coritiba.
“Não digo que damos adeus ao campeonato, mas ficou difícil. Contudo, no futebol tudo pode acontecer”, afirmou Paulo Baier. O discurso foi repetido em toda sua caminhada até o vestiário. Pergunta após pergunta, no entanto, a ênfase era para tentar encontrar um fio de otimismo em uma única frase: “A vida não acabou”.
Ainda não. O Furacão está dois pontos atrás do líder Coxa. Mas se o Alviverde vencer hoje, a diferença sobe para cinco. Mesmo assim, insuficiente para Geninho para mudar o foco. “Temos de jogar o campeonato no nosso melhor. Tem rodada amanhã [hoje] e não sabemos o que vai acontecer. O futebol nos dá muitas lições”, disse o treinador.
Ele ainda aproveitou a situação difícil para cutucar o rival. “Esses tempos aí, o Fluminense tinha 99% de chances de cair e escapou. Tinha gente já comemorando, indo no enterro do Fluminense, e caiu. Na hora que matematicamente não tiver mais chances, aí vamos dizer acabou.”
Apesar do discurso, Geninho sabe bem das dificuldades que enfrentará para transformar o improvável em realidade. O primeiro desafio será arrumar seu próprio time. A derrota para o Operário mais uma vez expôs a principal deficiência rubro-negra: as falhas de marcação. Isso, além das defesas do goleiro Ivan, é suficiente para explicar uma derrota ocorrida no primeiro tempo, quando o Atlético dominava a partida.
No primeiro gol, a falha foi na bola aérea, quando, aos 13 minutos, Mateus, que nem é tão alto, fez de cabeça, em lance de bola parada. No gol de Ícaro, aos 35, os dois zagueiros rubro-negros foram envolvidos antes do chute fraco do centroavante entrar no canto de Renan. “O sistema defensivo preocupa, pois tem um tipo de falha que se torna repetitivo: marcar com espaço”, resumiu Geninho.







Fotos por: Pedro Serápio / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Por Marcio Reinecken (Gazeta do Povo – 19/03/2011).
Com gol de Hevandro, o Fantasma conquista o primeiro êxito em casa e freia a arrancada atleticana
O Operário venceu o Atlético por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (26), no Germano Krüger, em Ponta Grossa. Hevandro fez o único gol da partida, que marcou a primeira vitória do Fantasma em casa e fez com que a ascensão do Furacão fosse brecada.
Com o resultado, o Operário assumiu o nono lugar com seis pontos, mesmo número do Atlético, que é o sétimo nos critérios de desempate. Na próxima rodada, o Atlético recebe o Roma na Arena da Baixada. O Operário desce as serras e enfrenta o Rio Branco em Paranaguá.
Mais produtivo, Operário sai na frente
Num campo pesado no Germano Krüger, o Operário mostrou mais poder de fogo, finalizando mais a gol, frente a um Atlético que se mostrou desarticulada. O Atlético teve um gol bem anulado aos 10 minutos, quando Guerrón, impedido, cabeceou um bom cruzamento de Marcos Pimentel.
O Operário chegou ao gol aos 16 minutos. Rilber cruzou da direita, a bola desviou na zaga e Hevandro chutou para as redes, contando com o desvio de Manoel, que tirou o goleiro João Carlos da jogada.
Enquanto o Atlético não levou mais perigo a não ser em faltas laterais, o Operário teve uma chance clara aos 44 minutos, quando Mateus Paraná recebeu cruzamento de Cambará e, de frente para o gol, chutou para fora.
Atlético não consegue virar e perde a cabeça junto com o jogo
Na segunda etapa, o Atlético tentou partir para cima, mas esbarrou na falta de controle emocional e na falta de articulação. Paulo Baier teve duas chances logo no começo, no primeiro minuto e aos 4 minutos. Em ambas, o goleiro Ivan fez grandes defesas.
Com 11 em campo, o Atlético tinha dificuldades. Elas aumentaram aos 31 minutos, quando o zagueiro Manoel acertou um chute no estreante Mateus Paraná, que já estava caído no lance, e levou direto o cartão vermelho.
Nos acréscimos, o Fantasma teve a chance de jogar a pá de cal sobre o Furacão. Aos 47 minutos, Edson Grilo, revelado pelo próprio Atlético, arrancou pela esquerda e cruzou para Serginho Catarinense perder uma chance incrível de frente para o gol.
Ainda deu tempo para o clima esquentar e Ivan González ser expulso aos 50 minutos após um bate-boca, fazendo o Atlético terminar a partida com apenas nove jogadores em campo.
Por Leonardo Bonassoli (Gazeta do Povo – 27/1/2011).












