28/08/2017

Desde 2009, quando competição foi oficializada pela CBF, nenhum paranaense chegou à decisão da Série D do Campeonato Brasileiro; Operário é o terceiro time do sul do país a disputar a final

Quem acompanhou a Série D, principalmente os jogos fora de casa, percebeu que narradores e comentaristas de outros estados se referiram ao time de Vila Oficinas como ‘Operário do Paraná’. Para quem está habituado a ver o Alvinegro disputando o Paranaense, é normal ouvir ‘Operário de Ponta Grossa’, então há um certo estranhamento. Mas é melhor ir se acostumando com essa nova denominação do Fantasma.

Com a vitória avassaladora sobre o Atlético Acreano na noite desta segunda-feira (28) no estádio Germano Krüger, por 2 a 0, O Operário se classificou para a decisão da Série D e se tornou o primeiro time do Paraná a disputar a final da quarta divisão nacional – esta também é a primeira decisão nacional da história do Operário. O time que chegou mais perto deste feito foi o Londrina que, em 2014, foi eliminado na semifinal pelo Brasil de Pelotas (RS). Hoje, as duas equipes disputam a Série B do Brasileirão.

Além disso, o Operário é o terceiro time da região sul do Brasil a chegar à decisão do campeonato desde 2009, quando ele foi oficializado pela CBF. Além do Brasil de Pelotas em 2014, que passou para a decisão após eliminar o Londrina, outro representante gaúcho chegou à decisão no ano anterior: em 2013, o Juventude eliminou o Tupi (MG) e perdeu o título para o Botafogo-PB. O Fantasma, portanto, pode se tornar o primeiro time do sul do país a levantar a taça da Série D.

Disputar títulos, aliás, se tornou uma constante na vida do torcedor operariano. Em 2015, duas vitórias incontestáveis sobre o Coritiba na final do Campeonato Paranaense. No ano seguinte, apesar de amargar o rebaixamento no Estadual, o time ergueu a Taça FPF Sub-23 no segundo semestre, o que garantiu ao time a vaga na Série D deste ano.

Depois do começo de ano claudicante, em que o time falhou na tentativa de retornar à elite do Campeonato Paranaense, o Fantasma chega à sua glória ao alcançar a vaga inédita na final da Série D. Embora não haja favorito para o confronto, o Operário chega com a melhor campanha da competição: 10 vitórias, um empate e três derrotas. O adversário da final, o Globo (RN), também venceu 10 jogos, mas perdeu quatro e não empatou nenhum. Com esses números, o Fantasma tem o direito de jogar a segunda partida da final em casa e pode ser campeão mais uma vez diante do apaixonado torcedor alvinegro, que compareceu em peso para empurrar o time rumo à decisão.


Com ‘estrela’ de Gersinho, Operário despacha acreanos
O técnico Gerson Gusmão foi bastante questionado pela torcida depois da campanha ruim na Divisão de Acesso, mas foi bancado pelo diretor do grupo gestor do Operário, Álvaro Góes, e mostrou que tem estrela. Os dois jogadores que entraram no time titular para a partida decisiva desta segunda-feira (28) no Germano Krüger foram os autores dos gols da vitória sobre o Atlético Acreano por 2 a 0, resultado que garantiu o Fantasma na decisão da Série D.

O Alvinegro entrou no gramado com quatro mudanças em relação ao time que entrou em campo no jogo de ida, em Rio Branco (AC). Tiago Alencar foi titular na zaga na vaga de Alisson, Jean Carlo e Robinho entraram no meio para substituir Athos e Washington, e Schumacher assumiu a vaga de Lucas Batatinha. E dois destes nomes garantiram os gols da vitória e foram os protagonistas do jogo histórico.

Aos oito minutos da primeira etapa, Schumacher mandou de cabeça para o gol, a bola acertou a trave e o goleiro conseguiu defender. Ela sobrou para Robinho empurrar e abrir o placar para o Fantasma. Sete minutos depois, nova trama entre os dois atletas. O Atlético saiu jogando errado e Robinho passou para Schumacher. O atacante correu mais que a zaga e tocou na saída do goleiro para fazer o gol que fechou o placar.

Na segunda etapa, precisando do resultado, o Atlético foi para cima para tentar ao menos o empate, o que já garantiria a vaga na final para os visitantes, mas não conseguiu furar a melhor defesa do campeonato. Diante de sete mil torcedores, o Operário segurou a vitória e carimbou a vaga na decisão da Série D. O Alvinegro agora encara o Globo (RN), que eliminou o Juazeirense no fim de semana também com uma vitória por 2 a 0, depois de perder o jogo de ida por 3 a 1.


Paraná pode voltar a comemorar título nacional após sete anos
Apesar de contar com muitos clubes tradicionais, o futebol paranaense não comemora um título nacional há sete anos. A última equipe do Estado a levantar uma taça foi o Coritiba de 2010, campeão da Série B. Antes disso, o próprio Coxa venceu a Série B em 2007, e somente o Atlético Paranaense, em 2001, venceu a Série A.

O time que chegou mais perto de trazer um troféu nacional para o Paraná foi o Londrina. Em 2014, o time caiu na semifinal da Série D, mas garantiu o acesso à terceira divisão. No ano seguinte, o Tubarão ficou ainda mais próximo do título: perdeu o troféu da Série C para o Vila Nova (GO).



Adversário também mostra força dentro de casa
Se o Operário tem no Germano Krüger sua grande força nesta Série D, o Globo não fica muito atrás. Assim como o Fantasma, a equipe potiguar venceu os sete jogos que disputou no estádio Manoel Barretto, em Ceará-Mirim.

Foram 13 gols marcados e apenas um gol sofrido dentro de casa, desempenho que supera até mesmo os números do time ponta-grossense: no Germano, foram 12 gols marcados e três sofridos. O Barretão, que será o palco do primeiro jogo da decisão da Série D, tem capacidade para 10 mil torcedores e deve ficar lotado para apoiar a ‘Águia’ rumo a mais um título.

O diferencial entre as duas equipes está na campanha – irregular – fora de casa. O Globo tem uma vitória e quatro derrotas longe de Ceará-Mirim, com sete gols marcados e nove sofridos. O Fantasma também venceu três vezes, mas empatou uma e perdeu outras três, marcando seis gols e sofrendo quatro.

Encarar um time com ataque forte dentro de seus domínios não é necessariamente uma novidade para o Operário. No primeiro jogo da semifinal, o Alvinegro de Vila Oficinas conseguiu segurar o Atlético Acreano em Rio Branco (AC), mesmo com o time adversário contando com o artilheiro da competição e o ataque mais positivo do campeonato.


Em cinco anos, Globo acumula títulos e glórias
Não dá para dizer que o rival do Fantasma na final da Série D é um time de tradição, mas isso não significa que o Globo seja um time fraco. Fundado em 2012 pelo empresário Marconi Barretto, o time só foi oficializado pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF) em março de 2013. Em menos de um ano, a cidade de Ceará-Mirim já erguia sua primeira taça: a segunda divisão do Campeonato Potiguar de 2013.

No ano seguinte, mais dois troféus para a galeria do time, a Copa FNF, e o título do primeiro turno do Estadual, denominado Copa RN. Ainda em 2014, o time fez uma bela campanha na Série D do Campeonato Brasileiro e terminou em 10º. Em 2015, participações na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. Neste ano, o time repetiu o feito de 2014 e ficou com o vice-campeonato estadual, além de conquistar a vaga na Série C e chegar à decisão da Série D.



Por Gabriel Sartini (aRede – 29/08/2017)

Pela primeira vez na história o Operário Ferroviário vai decidir um título nacional, depois de vencer o Atlético Acreano por 2 a 0, na noite desta segunda-feira, no Estádio Germano Krüger. Os gols foram de Robinho e Schumacher, que foi decisivo na partida. O jogo valeu pelas semifinais da Série D e o adversário será o Globo (RN). O Fantasma joga a primeira partida das finais fora de casa e depois decide o título em Vila Oficinas.

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Da Redação (Diário dos Campos – 28/08/2017)

A caminhada heroica do Operário Ferroviário na Série D do Campeonato Brasileiro terá seu capítulo final nas duas próximas semanas. Nesta segunda-feira (28), o Fantasma assombrou o Atlético-AC no Estádio Germano Krüger e alcançou a final do torneio nacional.

A vitória por 2 a 0 foi de grande mérito do técnico Gerson Gusmão, que realizou mudanças na equipe e surpreendeu o adversário. No fim, os dois gols foram marcados por atletas que não vinham atuando. O meia Robinho abriu o placar no início, e o atacante Schumacher deu números finais ao placar ainda na primeira etapa.

Com o resultado, o Operário decide a Série D em casa daqui a duas semanas. O Fantasma ganhou o privilégio por ter um ponto a mais na classificação geral em relação aos seu derradeiro adversário, o Globo-RN.

Fantasma tem início avassalador e constrói boa vantagem
O Operário iniciou a partida com mais mudanças em relação ao esperado. Além das entradas de Tiago Alencar e Schumacher, que substituíram os suspensos Alisson e Lucas Batatinha, o técnico Gerson Gusmão também promoveu as entradas de Robinho e Jean Carlo nos lugares de Athos e Washington.

O Fantasma começou bem a partida. Empurrado pela torcida, o time pressionou o Atlético–AC desde o início. Logo aos 6 minutos, Robinho cruzou falta na cabeça de Quirino, mas o atacante do Alvinegro mandou para fora. Dois minutos depois, veio o que a torcida queria. Quirino cruzou na área, Schumacher completou de cabeça, a bola bateu nas duas traves antes de sobrar para Robinho empurrar para as redes.

O gol não diminuiu a empolgação do Operário. Muito pelo contrário. Aos 12 minutos, Schumacher serviu Jean Carlo na entrada da área. O meia-atacante do Alvinegro bateu forte, mas Miller fez boa defesa e salvou o Atlético-AC. Aos 15 minutos, o Fantasma alcançou a tranquilidade que tanto buscava. Após lançamento da defesa, Schumacher ganhou corrida contra a zaga do Galo Carijó e bateu na saída de Miller para ampliar.

O Operário seguia no comando da partida. Aos 28, Quirino passou fácil pela defesa adversária e chutou, mas Miller fez a defesa com segurança. Um minuto depois, quase a resposta do Galo. Jeferson puxou contra-ataque pela esquerda e cruzou rasteiro na pequena área, mas a bola parou nas mãos do goleiro Simão.

Com 35 minutos, o Operário balançou as redes com Tiago Alencar, mas o zagueiro do Fantasma estava impedido e o gol foi invalidado. No final da primeira etapa, o Alvinegro manteve a boa postura defensiva e apenas administrou o resultado até o intervalo.

Operário controla ações, cria oportunidades mas não consegue ampliar
Mesmo com um bom resultado, o Operário não recuou e começou o segundo tempo buscando ampliar o placar. Em boas tramas ofensivas, o Alvinegro levou bastante perigo, mas tinha dificuldades em encaixar o último passe. Aos 19 minutos, numa boa chance, Jean Carlo cruzou rasteiro na pequena área, mas Índio, de carrinho, não chegou a tempo de completar para o gol.

Aos 21 minutos, o Fantasma teve excelente chance de marcar. Quirino enganou a zaga do Atlético-AC, avançou para a linha de fundo e cruzou. A bola encontrou Jean Carlo, mas o meia demorou para chutar e o goleiro Miller conseguiu fazer a defesa. Dois minutos depois, Dione fez bom cruzamento para Quirino, mas a cabeçada do atacante passou à esquerda do gol.

O Operário estava calmo na partida, mas a desorganização do Atlético dava brechas para novas oportunidades. Aos 38, Dione chutou de fora da área e obrigou Miller a fazer boa defesa. Na sobra, Robinho pegou deu direita mas mandou longe do gol.

No fim, o Galo Carijó foi para o tudo ou nada. Aos 40, Rafael fez boa jogada individual e finalizou. O goleiro Simão se esticou todo e fez um milagre para evitar o gol da equipe visitante. A boa defesa do Operário se recuperou, evitou as ações do Atlético e ajudou o Fantasma a carimbar o passaporte para a final da Série D.

FICHA TÉCNICA
OPERÁRIO 2 X 0 ATLÉTICO-AC

Operário: Simão; Danilo Baia, Sosa, Tiago Alencar e Peixoto; Chicão, Índio, Jean Carlo (Daisson) e Robinho (Serginho Paulista); Quirino e Schumacher (Dione).
Técnico: Gerson Gusmão.

Atlético-AC: Miller; Weverton, Juan, Diego e Jeferson; Leandro, Renato (Tragodara) e Psica (Altemir); Eduardo (Geovani), Polaco e Rafael Barros.
Técnico: Álvaro Miguéis.

Local: Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa (PR).
Data/Horário: 28/08/2017, às 21h15.
Árbitro: Alisson Sidnei Furtado (TO)
Assistentes: Fabio Pereira (TO) e Cipriano da Silva Sousa (TO)

Público/Renda: 6.386 pagantes | 7.030 total | R$ 140.140,00
Cartões Amarelos: Índio e Quirino (Operário). Jeferson (Atlético-AC).
Gols: Robinho, aos 8’ e Schumacher, aos 15’ do 1º tempo para o Operário.

Por Bruno Stadler (Redação em Campo – 29/08/2017)