Ao longo de sua história no futebol, nessas dez décadas de existência, o Operário Ferroviário contou com grandes jogadores, que se tornaram ídolos da torcida

Créditos: Sádico

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É manhã e os ponteiros do relógio indicam que são 6h15 de um dia qualquer. Os primeiros raios solares penetram o breu da madrugada, que agora vai dormir, indicando o início de mais um dia para a civilização, iluminando uma cuia de chimarrão sobre uma mão. Do último lance de degraus da arquibancada coberta do Germano Krüger, do ponto mais alto do estádio, logo à frente de uma das cabines da imprensa, está um senhor a observar o gramado. Gracindo, como uma coruja – o pai coruja do estádio – está a examinar o que fará neste dia. “Aquele lado ali. esse era o lado bom, o lado de baixo, a descida do Germano”, disse, apontando para a trave que fica para o lado das oficinas, o lado histórico, da história. “É o lado da torcida, da curva. Se sai um gol é só correr e é aquela euforia”, aponta ele que se aposentou do futebol, mas nunca de seu amor pelo clube. José Gracino Sobrinho deixou de ser ex-craque para se tornar um personagem mítico, que ganha um salário mínimo para fazer a manutenção com todo o carinho e cuidado do mundo. Ele é, sem dúvidas, um dos jogadores do passado mais idolatrados. “Não teve nem presidente nem diretor mais operariano que o Gracindo. Ele vive no Operário. Ele pega a faquinha e vai no gramado tirar mato. E não é de hoje que ele faz isso, em 79 ele já estava comigo lidando e ainda jogava. Um dia nós estavamos jogando no campeonato e apagou refletor. Sabendo onde caiu a chave, ele, que estava no campo, jogando, de uniforme saiu do time, pulou o alambrado, ligou e voltou a jogar. Ele é fantástico”, aponta Mikulis Durante esse trabalho, procurou-se fazer uma seleção de todos os tempos. E a melhor conclusão que chegamos foi que aquele time de 1961 é o definitivo. Não só porque foi o melhor grupo que já passou pelo clube, lembrado praticamente como unanimidade entre os entrevistados, mas como uma forma de homenagear os personagens daquela histórica escalação que contava com Arlindo, Daniel, Ribamar, Laércio Hélio Silvestre, Fiuza, Roberto, Jairo, Sílvio, Leocádio e Otavinho – além de Candinho, o 12º jogador. Durante a temporada de 1961 o plantel do alvinegro também contou com Ney Marçal, Madalozzo, Raimundo, Jango, Zeca, Hélio Dias, Ico Dias, Zanetti, Altemir e Uliana. Há de se destacar também Zeca e Alex, que compuseram o ataque alvinegro no final da década de 1950.

Historicamente também o clube teve muitos goleiros bons. Começou já na década de 1910, com Tuffy Nejen, o ‘Satanás’, que, segundo o livro de Cação Ribeiro, tornou-se o goleiro da Seleção Brasileira de Futebol. Outro goleiro operariano também defendeu a uma Seleção (a Seleção Gaúcha, que representou o Brasil em 66 e foi campeão na Taça Bernardo O´Higgins, no Chile) foi Arlindo, que saiu do Operário em 1963 e foi para o Corinthians (como Tuffy) e depois fez história no Grêmio, tornando-se seis vezes campeão gaúcho. Outros goleiros de grande expressão foram Romano, ainda na década de 20, que comoveu a cidade com sua morte e ganhou um túmulo do clube, bem como foi homenageado por clubes da capital; e Ladel, outra lenda viva do gol operariano. Há de se destacar também as atuações de Toco (Pedro Wosgrau, que formava o ‘Trio Final’ ao lado de Bonato e Pazinato) e Ney Marçal, que fecharam o gol operariano entre as décadas de 1940 a 1960. Diomar Guimarães lembra de outros três mais recentes, João Marcos, Dicar e Joceli. Na década de 2000, o goleiro Danilo foi outro grande ídolo do time de 2009 e Ivan do de 2011.

“Na década de 1950 tinha o Miguel, que fazia dupla com o Otavinho. O Zeca era liso de bola, os caras sofriam para marcar ele, marcou muito. Antes dele tinha o Adelar, o ‘Pintado’, que era o oposto do Zeca, era um cavalheiro em campo. O Wosgrau eu vi jogar pouco, então prefiro o Arlindo. Na zaga, Jango e Bonato. Em 1969 teve o Ferrinho. O Paraílio, que era o Motorzinho, e Hélio Dias e o Duílio, enfim, todos esses marcaram época no Operário”, lembra Domingos Silva Souza.

O pesquisador e torcedor Ângelo Defino faz uma breve análise por décadas. “Nos anos 20 tivemos o Brandalize, que foi um dos fundadores do Ferroviário e o Ernesto. Na década de 1970 o Renato Jacaré, o Osni e o Gracindo, que virou bandeira. Na década da casa temos pratas da casa como Pompéia, Charuto, Miranda, Dutra, Josnei, Nilson, Renato… É somos bons de ídolos! Nos anos 90 tem o Dico, o Oliveira, Celso Reis, Liminha, Éder”, recorda Satyro, ex-jogador do Guarani na década de 50, ressalta a qualidade dos jogadores do Operário que ele encarava “A dupla zaga Pazinato e Bonato eram dois homens de quase dois metros de altura. Você disputava uma bola com eles, e mesmo com o corpos avantajados, não te encostavam. Jogavam numa delicadeza que eram tão técnicos que tomavam bola adversário sem usar o corpo”, destaca.

“Na década de 1980 tivemos um ponta-direita, o Adenilson, que foi o melhor jogador que vi jogar nessa posição no Operário. Em um jogo contra o Londrina ele pegou a bola no campo de defesa do Londrina, driblou o time inteiro e fez o gol. O Padreco se destacou em 1969. Naquele time do Mikulis tinha uns bons também, como o Serrano que era muito bom jogador. Teve muita gente boa no operário.

Além dos três goleiros (João Marcos, Dicar e Joceli, já citados, Diomar faz uma escalação dos times que ele viu jogar por posições. “Lateral direito o Ronaldo, que jogou no Corinthians e na Seleção, e o Gracindo. Zagueiro central o André Cajarana, o De Lazzari e o Ricardo, da década de 90. Teve o Dimas também. O Zé Luís, que jogou entre 1981 e 1982, e o Edinelson foram bons como quarto zagueiro. Na lateral esquerda tivemos Flavio Miranda, de 1990 e Ojeda, de 1981. Tivemos bastante volante, como Niel, Salomão, o Celso, que veio do Santos, Draílton, Mocoró e Cambé. Como segundo volante, a torcida não gostava muito dele, mas o Werner era muito elogiado pela imprensa de Curitiba, sem contar ainda o Leomar e o Serginho Paulista. Terceiro homem de campo se destacaram o Danilo Oliveira em 1990, o Dagoberto e o Cambará. Os atacantes que marcaram foram Adilson, grande artilheiro, o Sapuca, que virou ídolo, Adalberto, o Adenilson, que ninguém pegava, Celso Reis, Nikinha e Liminha”, declara.

Em 2004, no retorno, além de Ricardo Pinto como técnico, o Operário contava com Leomar e Carlos Alberto Dias, que haviam jogado pela Seleção Brasileira, Clóvis e Edinelson. Entre os principais ídolos recentes estão o lateral Lisa, prata da casa (embora não ponta-grossense) que atuou pelo Atlético Paranaense e hoje encontra-se no Paraná Clube; e o Atacante Baiano, que até o fechamento desta edição, restando apenas um jogo para o fim do Campeonato Paranaense, era o artilheiro da competição, com 13 gols.

Cação Ribeiro, em sua obra sobre o futebol ponta-grossense, destaca ainda jogadores como Bach, Alberto Piva, Tito Piva, Oscar Serra, Irmãos Meister (Ewaldo, Arnoldo e Alvino), Lulo Martins, João Simonetti, Chicharrão e José Ramos. Paraílio, que estreou no clube em 1937, é apontado como um dos melhores ponteiros do futebol da cidade, com ‘ginga à Garrincha’, segundo a publicação.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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