Operário começa sua história com funcionários da Rede Ferroviária que se reuniam para praticar o esporte após o expediente de serviço em meados de 1912

O time de 1916 contava com Michel Farhat, João Hoffmann, Alexandre Bach, Alberto Meister, João Souza e Silvio Palermo(em pé); Piva II, João Simonetti e Frehse (no meio); Pedro Azevedo, Ewaldo Meister, Tito Piva, Paulistinha e Leão - Foto: Casa da Memória do Paraná/Foto Bianchi

O time de 1916 contava com Michel Farhat, João Hoffmann, Alexandre Bach, Alberto Meister, João Souza e Silvio Palermo(em pé); Piva II, João Simonetti e Frehse (no meio); Pedro Azevedo, Ewaldo Meister, Tito Piva, Paulistinha e Leão - Foto: Casa da Memória do Paraná/Foto Bianchi

Até pouco mais de 100 anos atrás, o esporte que hoje é o mais conhecido e aclamado do país, era algo desconhecido. Em 1900 foram fundados os dois primeiros clubes de futebol e a história ficou encarregada de registrar outros times que foram anotando seus nomes na linha do tempo do futebol. E lá, entre os primeiros do Brasil, o segundo no Estado, está encravado para sempre o nome do Operário Ferroviário Esporte Clube.

Os primeiros registros do esporte na cidade datam de 1909. O Operário, por sua vez, se originou pouco depois. De acordo com os relatos do livro “Fantasma da Vila”, escrito por José Cação Ribeiro Júnior, a bola começou a rolar para o lado de Vila Oficinas em meados de 1912, quando começaram a ser realizados os primeiros ‘treinos’ de futebol pelos trabalhadores construtores das ferrovias entre Paraná e Santa Catarina, em um campo localizado ao lado das oficinas da Rede Ferroviária, nas proximidades de onde foi construída a Igreja São Cristóvão. É assim que começa a historia do Foot-ball Club Operário Ponta-grossense – nome de fundação do clube.

O pesquisador e torcedor do clube, Ângelo De Col Defino, pediatra ponta-grossense que está lançando um livro sobre o Operário, entretanto, lembra que a criação da primeira diretoria ocorreu em 1913, em uma data ainda não identificada. “Um dos jornais da cidade da época informou, no dia 7 de abril de 1913, a criação da primeira diretoria do Operário. Mas essa é a data da publicação, vai saber quanto tempo ela demorou para ser impressa. O documento mais antigo do clube que tenho conhecimento é do irmão da minha bisavó, que assinou um canhoto de mensalidade, um recibo, como sendo em primeiro de abril de 1913”, recorda.

No ano seguinte, afirma a publicação de Cação Ribeiro, a data de 1º de maio foi eleita como a Data Magna a ser comemorada. “A data ficou oficializada no estatuto em 1914. O ano de 1912 fica como parâmetro porque nessa época já treinavam e uma data simbólica desse ano deveria ser escolhida. Como o primeiro de maio, na época, era o ‘Dia Universal do Operário’, foi consenso e de acordo a eleição da data para as comemorações”, explica Defino.

Ainda em 1914, Raul de Lara, primeiro presidente, passa o comando para João Fernandes de Castro e o clube passa a denominar-se “Operário Foot-ball Club” (OFC). É também em 1914 que surge o primeiro escudo do Operário. Na década seguinte, entre 1923 e 1926, o clube passaria a se chamar Operário Sport Club (OSC). O atual nome, Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), foi oficializado só na década de 1930.

O primeiro registro histórico de um jogo do Operário data de 5 de junho de 1914, em dois jogos, contra o Niterói FC e o Rio Branco. Em um dos primeiros prélios do alvinegro, o Operário entrou com o seguinte time contra o Niterói F.C.: Moro; Azevedo e Jaceguay; Piva, Simonetti e Souza; Ewaldo Meister, Frigo e Oscar Serra; Frehse e Recotoffe – Esta é uma das primeiras escalações que se tem notícia no clube.

Em 1915 o Operário disputa uma espécie de série B do primeiro campeonato paranaense, consagrando-se campeão no ano seguinte. “Sem chances de jogar contra os grandes da capital, foram criadas várias ligas regionais, em que os times de Ponta Grossa jogavam com os clubes das cidades vizinhas”, afirma Defino. Em 1917 o Operário conquistou a segunda divisão do paranaense e, nos dois seguintes, o campeonato ponta-grossense.

Uniforme: As cores do preto e branco
Mais que uma simples cor escolhida a esmo por gerar um contraste, o pesquisador Ângelo Defino explica que a opção pelo preto e branco revelava a identidade do clube: um time livre de preconceitos, com integrantes de todas as raças. “O Operário foi um dos pioneiros no futebol brasileiro, pouquíssimos clubes deram abertura aos negros desde a sua fundação, o Vasco era um deles. E veja que estamos falando só 24 anos após a abolição da escravatura. O Coritba, por exemplo, só foi aceitar negros na década de 1930, o que faz do Operário o pioneiro no estado. Foi um dos primeiros também a abrir as portas para os trabalhadores humildes e para as mulheres na torcida”, destaca.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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