Mais que a regularidade dos títulos regionais e dos vices estaduais, algo mudou para sempre na década de 30: a denominação do clube. Time passa a ser conhecido como Ofec

Na foto da metade da década de 1930 é possível notar alguns importantes valores quepassaram pelo Operário, como Joanino, Chicharrão, Darío, Riva, o goleiro Carrica e Julio Pellisari - Foto: Casa da Memória do Paraná

Na foto da metade da década de 1930 é possível notar alguns importantes valores quepassaram pelo Operário, como Joanino, Chicharrão, Darío, Riva, o goleiro Carrica e Julio Pellisari - Foto: Casa da Memória do Paraná

O futebol é rivalidade. A motivação está justamente no torcer, nas conquistas difíceis. E em se tratando de rival do Operário, não há nenhum outro time como o Guarani. Foi justamente na década de 1930 que começou a se formar, com mais força, essa grande rivalidade princesina. Depois de extinguir-se por 10 anos (entre 1917 a 1927), o Bugre – como é conhecido – passou a afugentar o Fantasma depois de sua reaparição. E o ápice disso foi em 1931, quando o Guarani mostrou sua real força para o Operário e obteve o título ponta-grossense, e foi disputar o titulo paranaense contra o Coritiba, tornando-se o segundo time do interior do estado a lutar pelo troféu estadual. O título, entretanto, ficou com o alvi-verde da capital, em uma apertada vitória por 2X1. Durante a década de 1930, outros dois times da cidade foram para a final estadual: o Nova Rússia (1933) e o Olinda (1935).

No caso do Operário, mesmo com a força ‘interna’ do futebol regional, foi uma das décadas mais importantes para o clube. Desde a fundação, os torcedores tornaram-se exigentes, já que todos se habituaram a se contentar, no mínimo, com os títulos regionais e a disputa da final do campeonato estadual contra os grandes da capital. E quando não ia bem, tratava de se munir para ‘não perder o embalo do trem’. Diante dos tropeços supramencionados, o Operário se fez mais forte nos anos seguintes, conquistando, entre 1932 e 1940, seis títulos da liga. Ou seja, consagrando-se “campeão do interior” por seis vezes. As conquistas ocorreram em 1932, 1934, 1936, 1937, 1938 e 1940. Em uma análise um pouco mais ampla, entre 1923 e 1940 foram disputadas 12 finais estaduais, porém sem jamais obter o êxito de erguer o troféu mais importante do futebol paranaense, restando aos torcedores o contento com o vice. O último time que se consagrou vice-campeão nessa sequência de glórias alinhou com Godêncio, Mario Godoy e Jaguariaíva; Flávio, Tio Chico e Ales; Valdinho, Paraílio, Viana, Gigi e Floriano na grande final do paranaense, contra o Altético, sofrendo um revés de 4X0 – na época o goleiro do rubro-negro era o Caju. O feito viria a se repetir somente em 1958, na era do futebol profissional.

Mais que a regularidade dos títulos regionais e dos vices estaduais, algo mudou para sempre na década de 30: a denominação do clube. Segundo Cação Ribeiro em sua obra sobre o Fantasma, o nome atual, Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), foi declarado e oficializado no dia 15 de maio de 1933, exatamente duas semanas após o clube completar 21 anos, por proposição de Ricardo Wagner, o então presidente. A mudança de nome se deu, segundo o livro ‘Fantasma da Vila’, pela fusão com o Ferroviário, clube formado por funcionários da Rede Ferroviária Paraná – Santa Catarina. Um clube social, na verdade, que nunca formou um time para disputas esportivas oficiais.

Quem foi Germano Krüger? A história da construção de um estádio
Foi ainda no final de década de 1930 que o atual estádio do Operário começou a tomar forma. Jogando no mesmo campo desde a sua fundação, em 1912, Cação Ribeiro esclarece, no livro “Futebol Ponta-Grossense: Recortes da História”, que uma campanha iniciada no dia 8 de dezembro de 1939 foi o pontapé inicial para a construção do tradicional estádio princesino, que viria a ser estreado em 12 de outubro de 1941, com uma vitória do time da casa sobre o UCA por 6X1. À época, Germano Ewaldo Krüger, que nomeia o estádio, era o chefe das oficinas da Rede Viária Paraná – Santa Catarina. “Foi proposta dele a mudança do campo e a construção do estádio. O Germano Krüger fez o possível para a construção daquele estádio, liberava os trabalhadores para trabalharem no campo”, analisa o pesquisador Ângelo Defino.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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