Nos primeiros anos de profissionalismo, mesmo o histórico time de 1961 do Operário, o salário era o que menos importava para os jogadores

O futebol fica mais sério com a chegada do profissionalismo. O Operário conquistaum vice-campeonato paranaense e começa a montar a base do time campeão em 1961 - Casa da Memória do Paraná

O futebol fica mais sério com a chegada do profissionalismo. O Operário conquistaum vice-campeonato paranaense e começa a montar a base do time campeão em 1961 - Casa da Memória do Paraná

Em Ponta Grossa e no Estado, a década de 1950 tornou-se um marco na história do esporte com a profissionalização do futebol. Cação Ribeiro, em sua obra sobre o futebol da cidade, traz a informação de que o profissionalismo chegou em 1953, com o apoio da Federação Paranaense de Futebol. No ano seguinte o Guarani foi convidado para participar do Paranaense e aceitou. O Operário, por sua vez, passou a fazer parte do Campeonato Paranaense somente no ano seguinte.

Apesar o profissionalismo, era uma época bastante diferente de hoje. “Na minha infância, enchia de piazada na portaria do estádio e ficávamos aguardando os figurões que escolhiam dois ou três para entrar. Eu ia com meu irmão, mas no final dava tudo certo, todos entravam. Muita gente ia também assistir aos treinos nas terças e quintas, por volta das 17h, depois do expediente de trabalho, já que a maioria dos jogadores trabalhava na Rede. Quem era torcedor mesmo, ia ver, porque já dava para ter ideia de quem ia entrar em campo nos jogos. Como não tinha alambrado ainda, a gente ficava atrás do gol, pegando as bolas nesses treinos. As vezes vinham uns torpedos e não dava tempo de se esquivar, principalmente do Duílio Dias, o ‘Canhão de Vila Oficinas’. Até os goleiros tinham medo dele”, recorda o fotógrafo e torcedor Domingos Silva Souza. Após as magníficas atuações pelo Operário, a revelação alvinegra foi contratada pelo Coritiba, tornando-se artilheiro do certame profissional por cinco vezes (54, 57, 58, 60 e 63), conquistando cinco títulos com o time curitibano.

Altayr Bail, comentarista esportivo, ressalta que, nesses primeiros anos de profissionalismo, mesmo o histórico time de 1961, o salário era o que menos importava. Era uma época em que os torcedores podiam torcer, de fato, por uma equipe de jogadores que tinha amor à camisa e se doavam para o esporte puro, sem interesses. “O Operário tirava jogadores do Guarani e vice-versa, mas não era por salário, era mais a proposta, o valor da camisa, de jogar naquele clube. Havia mais raça, vontade, dava para ver que a camisa pesava. Os esquemas de jogo também eram muito diferentes. Mesmo o Pelé, hoje, não teria tanto espaço para jogar. Em 58, ele fez 58 gols, sendo oito só em uma partida. Algo que não aconteceria nos dias atuais”, completa.

Em 1955, participando de seu primeiro Campeonato Paranaense profissional, o Operário terminou em uma modesta sexta colocação. Mas o time foi escalando aos poucos até chegar ao vice-campeonato, em 1958. “Bons valores como Alex, Otavinho e Zeca fizeram o Operário Ferroviário vice-campeão paranaense de 1958. Ao longo do campeonato, o Alvinegro de Vila Oficinas contou com jogadores como Antoninho, Lelo, Candinho, Arnaldo Mendes, Jango, Abelardo, Alex, Roberto, Hélio Dias, Odácio, Otavinho e Sílvio”, aponta Cação Ribeiro na sua obra sobre o futebol ponta-grossense, destacando o vice, com apenas dois pontos de desvantagem para o campeão Atlético Paranaense, como “o maior feito até então conquistado”. Em 1959, o Coritiba foi o Campeão Paranaense e o Operário terminou em sexto. O artilheiro da competição foi atacante Zeca, craque do OFEC, que anotou 26 gols.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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