Time se licencia do futebol profissional em 1971 e retorna somente em 1974. Depois encerra década participando da ‘Taça Brasil’ – o Campeonato Brasileiro Série A da época

Um dos jogos disputados na Copa Brasil contra o Chapecoense, com a arquibancada modular instalada. Em pé: Renatão,Mineiro, Osni, Miranda, Milton do Ó, Luiz Carlos; Agachados: Paulo Borges, Dagoberto, Silva, Raul Santos, Doquinha - Arquivo Cação Ribeiro

Um dos jogos disputados na Copa Brasil contra o Chapecoense, com a arquibancada modular instalada. Em pé: Renatão,Mineiro, Osni, Miranda, Milton do Ó, Luiz Carlos; Agachados: Paulo Borges, Dagoberto, Silva, Raul Santos, Doquinha - Arquivo Cação Ribeiro

No ano anterior, a glória; no seguinte, a obscuridão: o Fantasma sumiu. Sem apresentar um bom futebol na Divisão Especial em 1970, terminando o campeonato em 12º entre 14 clubes, o time se licenciou do campeonato e deixou de existir nas competições profissionais. “Depois do título de 1969, o Operário teve uma queda muito grande em 1970 e acabou se licenciando do Paranaense, tanto ele quanto o Guarani”, revela Altayr Bail. Foi o fim da linha definitiva para uma dessas agremiações: o Bugre jamais voltaria a disputar uma competição oficial.

Com o fim do futebol profissional, os plantéis dos times de Ponta Grossa foram então para a Associação Pontagrossense de Desportos, que passou a representar a cidade na Divisão Especial do Paranaense. Sem nunca empolgar muito, mesmo com um terceiro lugar no Paranaense de 1973, a Pontagrossense deixou de existir neste ano.

“Em 1974 o Operário voltou com Odilon Mendes, que foi um grande presidente, que tinha um amor incomensurável pelo clube”, destaca Diomar Guimarães, comentarista esportivo e torcedor fanático do Operário.

O time fez uma campanha razoável e terminou em oitavo em sua reaparição na divisão especial do Campeonato Paranaense. Porém os resultados não apareceram nos anos seguintes. “Tivemos muitos jogos difíceis, passávamos problemas como hoje, o time não ficava em boas colocações. Mas na época que eu estava jogando, a gente nunca era goleado, nunca perdia por um placar maior que 3X1”, declara José Gracino Sobrinho, o ‘Gracindo’, ex-jogador que tem um amor indescritível pelo time. Discretas posições em 1975 e 1976, com uma 11ª e uma 12ª colocações no Campeonato Paranaense, respectivamente, resultaram em um trágico 1977: a queda da Divisão Especial para a então Primeira Divisão – conhecida hoje como série B.

“O Operário teve muitos problemas. Bernaldo Brito Costa tirou o time do campeonato em 1977, disse que não tinha dinheiro. Aí caiu pra segunda divisão novamente”, lembra Altayr Bail. O time não disputou o campeonato profissional em 1978.

Com Antonio Luis Mikulis no comando, Operário retornou em 1979 na primeira divisão do Paranaense e participou da ‘Copa Brasil’, uma edição a nível nacional do Campeonato Brasileiro Série A, que reuniria 94 agremiações de todo país. Uma reestruturação que começou nos bastidores em 1978. “O Prefeito Luiz Carlos Zuk, que tinha assumido a prefeitura, demonstrou muito interesse em ajudar o Operário. No ano seguinte, em 1979, o Mikulis, que era secretário de finanças do Zuk, assumiu a presidência do clube. Aí as coisas se encaminharam muito bem. Havia na época uma empresa de economia mista, a CIDEP, que fazia as obras da Prefeitura e ela começou a realizar obras no estádio, como fazer as arquibancadas, colocar as cadeiras, os refletores. Ninguém fez obra maior. Se não fosse a CIDEP, o Operário provavelmente continuaria com o mesmo estádio que tinha”, recorda Altayr Bail. O Campeão Brasileiro foi o Internacional de Porto Alegre.

Estreia dos holofotes e recorde de público na Copa Brasil
Para que pudesse disputar o campeonato nacional, algumas exigências foram requeridas pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos), todas atendidas pelo presidente do clube e pelo prefeito Luiz Carlos Zuk, que atuou como jogador do alvinegro na década de 1960. “A condição era ter um estádio para 25 ou 30 mil pessoas, algo assim. Nós trouxemos aquelas arquibancadas modulares do Rio e fizemos um estádio para 36 mil pessoas. Naquela época nós colocamos 20 mil pessoas no estádio no primeiro jogo, creio que esse tenha sido o maior público do Germano Krüger. Foi num jogo noturno, quando estreamos a iluminação nova no estádio”, afirma Mikulis. A contagem oficial, entretanto, registrou 9.399 pagantes e é apontado, oficialmente, como o maior público já registrado no estádio até hoje. “Essa estreia dos refletores ocorreu contra o Brasil de Pelotas, em um jogo que terminou empatado em 1X1”, recorda Bail. O Alvinegro terminaria o campeonato em 88º entre os 94 clubes, com apenas cinco pontos ganhos, em uma campanha com duas vitórias, um empate e seis derrotas.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

Os comentários estão encerrados.