A Participação na Série Prata do Brasileirão, a queda para a Segunda Divisão em momento conturbado e a reascensão para mais um Campeonato Brasileiro Série B

Formação do início da década de 1980 com Gracindo, Chicão, Andre, Ademir,Ladel e Marcelus; Agachados: Adilson, Humberto, Guerra, Nardo e Peninha - Arquivo Cação Ribeiro

Formação do início da década de 1980 com Gracindo, Chicão, Andre, Ademir,Ladel e Marcelus; Agachados: Adilson, Humberto, Guerra, Nardo e Peninha - Arquivo Cação Ribeiro

O campeonato brasileiro de 1980 sofreu uma grande reestruturação. Após a extinção da CBD, em 1979, e o surgimento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a instituição reorganizou o campeonato nacional. Já saturado com os 94 clubes que disputaram o ‘Brasileirão’ no ano anterior, eis que houve a partilha do campeonato, a princípio, em duas divisões: Taça de Ouro (Série A) e Taça de Prata (Série B). Pela campanha razoável apresentada na Copa Brasil do ano anterior, a CBF designou que o Operário participasse da Taça de Prata. Nela, o alvinegro foi eliminado na primeira fase e concluiu a competição em 53º entre os 64 participantes.

No campeonato paranaense, para a alegria dos abatidos torcedores, o Operário apresentou um desempenho melhor. A disputa daquele ano reunia 20 clubes, mas havia a necessidade de reduzir esse número para 12, a pedido do Conselho Nacional dos Desportos (CND). “Oito se classificaram para a disputa final e 12 ficaram para o ‘Torneio da Morte’, inclusive o Atlético Paranaense e o Operário. Foram disputar os 12 para permanecerem quatro na primeira divisão e cair oito. Foi um dedéu e se mantiveram o Atlético, o Operário, o Paranavaí, e o Matsubara”, afirma o comentarista Diomar Guimarães.

O ano de 1981 começou com boa apresentação do setor defensivo, com um bom rendimento no primeiro turno da primeira divisão, passando para o quadrangular final da disputa do turno. “Em 1981 nos classificamos para o quadrangular, que participaram Atlético, Londrina e Maringá. Nessa época, em 11 jogos, tomei só dois gols. Ou seja: somando esse primeiro turno com todo campeonato anterior, levei só seis ou sete gols”, afirma Agenor Suzano dos Reis, o Ladel. No segundo turno a equipe não apresentou bons resultados, terminando a competição em sexto lugar, que naquele ano não dava vaga para a Taça de Prata do ano seguinte.

A temporada de 1983 foi desastrosa para o Fantasma, que se viu assombrada com as amarguras do rebaixamento ao cair para a segunda divisão. Daí até 1988 o clube passou por um momento conturbado, com muitas dificuldades ao figurar na Série B do paranaense. Nesse período, a presidência do Operário mudou cinco vezes.

O Campeonato Paranaense foi reestruturado e o Operário foi convidado, no início de 1989, a integrar a primeira divisão daquele ano. Mikulis voltou a assumir a presidência em 1989 e, em julho, o clube foi convidado pela CBF para participar do Campeonato Brasileiro. Sem empolgar muito no paranaense, terminando em 12º, o time engrenou para o brasileiro. “Esse brasileiro de 1989 reuniu quase 100 clubes. O campeonato foi inchado pela política do encerramento da ditadura, e o Operário se saiu muito bem”, analisa o atual presidente Carlos Roberto Iurk. Entre os 96 participantes, o Operário avançou até as oitavas de final, quando foi eliminado pelo Juventude após dois empates. Terminou na 11º colocação.

Clube oficializa incorporação de terrenos da Rede e da prefeitura
O terreno do Parque Social, desde onde se encontra a arquibancada mais alta, não pertencia ao Operário, mas à prefeitura. Luiz Carlos Zuk entrou com a solicitação de doação do terreno ao Alvinegro – fato que veio a se concretizar em 1985, quando o prefeito era Otto Santos Cunha. A conquista territorial não para aqui: o terreno ocupado pelo Operário que pertencia à Rede Ferroviária, que compreendia desde o meio do campo até o muro das oficinas da Rede, também foi legalizado em 1985, em um acordo com a Prefeitura e o secretário Vicente Hajaki Ribas. Segundo Diomar Guimarães, a incorporação dos terrenos foi uma vitória de do presidente Dino Colli, e hoje o campo é impenhorável.

Com a palavra, Ladel e seu recorde estadual de invencibilidade
“No campeonato de 1980 eu bati o recorde paranaense sem tomar gol, ficando 11 jogos e 37 minutos ou 1027 minutos sem levar um gol. Acredito que este recorde paranaense ainda seja meu. Como eram 12 times, 11 jogos em cada turno, passei um turno inteiro sem tomar um gol. Acho que no campeonato todo eu levei apenas três ou quatro gols”.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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