Pela sua ligação com as oficinas, os torcedores do Operário eram chamados de graxeiros. Enquanto que a torcida do alvinegro chamava os ricos torcedores do Guarani de pó-de-arroz

Operário tricampeão do interior em 1947. Em pé: Chiquinho, Aluízio, Djalma Dias, Adelar (Pintado) e Jair; Agachados: Lourival, Bonato, Toco, Pazinato, Wilson Tite, Dino e Pila - Arquivo Cação Ribeiro

Operário tricampeão do interior em 1947. Em pé: Chiquinho, Aluízio, Djalma Dias, Adelar (Pintado) e Jair; Agachados: Lourival, Bonato, Toco, Pazinato, Wilson Tite, Dino e Pila - Arquivo Cação Ribeiro

Longe das finais do Campeonato Paranaense e dos vices estaduais que viraram costume nas décadas anteriores, o Operário sempre manteve a regularidade das glórias locais durante a década de 1940: foram sete títulos ponta-grossenses de 1940 a 1949. Cabe destacar, no entanto, que entre 1941 e 1946 o campeão da liga não disputou o campeonato do interior e o estadual. Em 1947, em prélio contra o Rio Branco, o Operário foi o campeão do interior ao vencer os dois jogos contra time de Paranaguá. Mas, como não houve o embate do estadual contra o campeão da capital, o Coritiba, foi considerado campeão estadual e o Ferrovário, também de Curitiba, o vice.

O Atual prefeito de Ponta Grossa, Pedro Wosgrau Filho, revelou a importância da década para sua família. Seu pai, Pedro Wosgrau, conhecido como ‘Toco’, atuou entre 1945 e 1949 pelo alvinegro de Vila Oficinas. Apontado como um dos grandes goleiros da história do time, fechava a retaguarda em conjunto com os zagueiros Bonato e Pazinato, como um trio de ferro, como aponta Wosgrau. “Ele não jogou só no Operário, mas meu pai sempre sentia muito orgulho em ter jogado futebol. Naquela época muito se falava do trio de defesa ‘Toco, Bonato e Pazinato’, ele sempre falava sobre isso, contando cada momento importante que passou com o Operário. Meu pai era muito próximo deles, foram amigos até o fim da vida”, destaca, dizendo que nunca teve a oportunidade de ver seu pai atuando nos campos por ter cinco anos quando Toco deixou os gramados.

“O final da década de 1940 até 1951 ou 1952, mais ou menos, foram os anos áureos do futebol ponta-grossense”, analisa Antônio José França Satyro, ex-professor universitário e ex-jogador do Guarani. Ele defendeu por três anos as cores do Bugre, de 1949 – quando veio de Bauru, São Paulo – até 1951. “Naqueles tempos, além de Operário e Guarani, tinha o América, com um excelente time, o Palmeiras, o Caxias, o Olinda, o UCA. Eram grandes disputas dentro de campo. E vinham muitos torcedores, inclusive de fora, como de Irati, Castro. Lembro uma vez uma faixa de Laranjeiras do Sul em um Ope-Guá, mesmo com as dificuldades da época. É para ver como se tratava de um embate famoso”, ressalta. “Acompanhei vários Ope-Guás, o jogo era um grande acontecimento mesmo na cidade. Era como o famoso Atle-Tiba na capital (Atlético X Coritiba)”, completa Wosgrau.

O comentarista e jornalista esportivo Altayr Bail explica que, além da rivalidade em campo, havia todo um simbolismo social por trás do embate. “O Ope-Guá tinha uma rivalidade muito interessante, além de lotar os campos, motivava os clubes a fazerem algo mais para ir melhor, movimentava a cidade. Se falava uma semana antes e uma semana depois, já que as torcidas rivalizavam muito. Pela sua ligação com as oficinas, os torcedores do Operário Ferroviário eram chamados de ‘Graxeiros’ pelos adversários, que geralmente tinha torcedores de baixa renda; enquanto que a torcida do Operário chamava os ricos torcedores do Guarani de ‘Pó de Arroz’. A torcida do Operário sempre foi muito maior, e a do Guarani era chamada de ‘torcida qualificada’. Tudo isso dava um conteúdo especial nas semanas do clássico. Se Guarani continuasse, o futebol seria mais rico e interessante”, acredita.

Por Fernando Rogala (JMNews – 1/05/2012).

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