Acostumado a assombrar os poderosos da capital, o Fantasma chega aos 100 anos lutando para recuperar o prestígio

Os ex-jogadores Gracindo e Jamil se encontram no gramado do Germano Krüger: festa pelos cem anos do Operário - Foto: Thiago Terada

Os ex-jogadores Gracindo e Jamil se encontram no gramado do Germano Krüger: festa pelos cem anos do Operário - Foto: Thiago Terada

O Operário Ferroviário, de Ponta Grossa, entra nesta terça-feira (1.º) para o seleto grupo de clubes centenários. No Paraná, mais antigo do que o time preto e branco dos Campos Gerais, apenas o Coritiba, que completou um século de existência em 2009. O berço do Fantasma foi a antiga estrada férrea que ligava o estado a Santa Catarina. Além de permitir o desenvolvimento das cidades no começo do século 20, serviu para unir pessoas com a mesma paixão: o futebol. Em 1.º de maio de 1912, os trabalhadores das ferrovias fundaram o Operário Ferroviário.

A equipe é carinhosamente chamada de Fantasma desde os anos 30, por assombrar os times da capital. O principal time de Ponta Grossa teve origem na Vila Oficinas, que leva esse nome em referência ao local onde se consertavam os vagões. Um ano depois da fundação, foi montado o primeiro time da história do clube. O branco e o preto do uniforme tinham a intenção de reforçar a luta contra o preconceito que ainda havia 24 anos depois da abolição da escravatura: era um time aberto a todas as raças. Seu maior rival era o Guarani, clube sediado no bairro mais abastado da época e com fama de elitizado.

Parte dessa história será revivida hoje por ex-jogadores e ex-dirigentes que têm encontro marcado no clube. Um deles é o ex-lateral Jamil Severiano, 74 anos, que passou ontem pelo estádio. Trajando a camisa 4 que usou no campeonato de 1969, ele reencontrou velhos amigos, como o ex-lateral-direito José Gracindo Sobrinho, 68 anos. “Eu fico muito emocionado de poder estar aqui e viver essa história do tempo que em fazíamos futebol por amor”, conta Jamil. Gracindo, que jogou no Fantasma em 1974 e hoje é funcionário do clube, também se emociona. “Sou ex-jogador e torcedor assíduo. Até quando dá para viajar para ver o Operário em campo eu viajo”, diz.

Hoje, alguns dos atletas que fizeram parte da trajetória do Operário vão reviver o tradicional clássico Ope-Gua no gramado do Germano Krüger. “Os tempos mudaram, mas a paixão pelo clube é a mesma”, comenta o presidente Carlos Roberto Iurk. Nesta temporada, o futebol profissional acabou para o time. O Fantasma terminou o Paranaense apenas em sexto lugar e não terá calendário para o resto do ano.

As dificuldades fazem parte da vida do clube. Em 1995, em meio a uma crise financeira, a equipe pediu licença das competições. Voltou em 2004, subindo para a Primeira Divisão cinco anos depois. Desde então, tenta recuperar o espaço perdido. Mesmo sem o velho prestígio em campo, o Alvinegro tem uma programação especial para lembrar sua rica história. A festa terá homenagens a ex-jogadores e a escolha do primeiro hino oficial do clube.

Além dos velhinhos Coxa e Fantasma, o Rio Branco, de Paranaguá, comemora 100 anos no ano que vem e o Iraty, de Irati, chega ao centenário em 2014.

Por Maria Gizele da Silva

Uma resposta a Gazeta do Povo: Operário festeja um século de vida