A fase mais chata de cada temporada vai chegando ao fim. Por sorte, logo depois vem a mais legal. Dos dias sem futebol, os infantis, jovens, adultos e velhacos partem para os campeonatos estaduais. É neles que tudo acontece e o futebol mantém suas raízes, sem maquiagens ou pinceladas de photoshop. No Paraná seguimos a regra.

Só os estaduais podem nos proporcionar clássicos da velha guarda como Rio Branco de Paranaguá x Operário de Ponta Grossa. Ou então mostrar o que significa Atlético e Coritiba contra a rapa para a nova geração.

É neste período do ano que muitos dos jovens são iniciados ao futebol fora de casa. Primeiro, literalmente fora de casa. Os bastidores para assistir um jogo entre Paraná Clube x Cascavel na Vila Capanema são menos violentos que os de um Atlético x São Paulo na Arena. Logo, é um jogo bom para um pai levar seu filho pela primeira vez ao campo, mesmo com o fim do sistema pai e filho.

Alias, também é no Estadual que os moleques assistem a seus primeiros jogos no reduto adversário. Começar viajando de Curitiba ao Maracanã é para poucos. Mas muitos já foram, por exemplo, ver o Coritiba indo pro quebra no Emílio Gomes, em Irati, ou na mítica Estradinha, em Paranaguá.
É no campeonato local, aliás, que se mostram os verdadeiros. No interior, verdadeiros são os cabras que trocam o Paulistão no conforto do sofá e da TV por um clássico Arapuca, entre Roma Apucarana x Arapongas. É aí que se descobre que a alma do negócio, ou da vida, é receber a bênção do Bom Jesus da Lapa.

Consumir Corinthians (Paulista) pelo controle remoto em reduto paranaense se tornou coisa de garotos sem formação para a vida. É por isso que aconselho uma ida ao estádio neste início de ano, mesmo que seja para ver o Timãozinho das araucárias em ação. Mas vá, pois o nosso estadual é um torneio que forma para a vida.

Por Felipe Lessa (FutebolParanaense.net – 1/1/2011).

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