Dorli Michels faz avaliação positiva da temporada do Fantasma e acredita em melhores resultados no próximo ano

Fim de temporada para o Operário e os olhos já se voltam para 2011, com o Fantasma garantido na elite e em busca de confirmação novamente de sua participação em competições nacionais, como o Brasileiro da Série D e até mesmo na Copa do Brasil. Com uma avaliação positiva, mas também com o objetivo de contar com mais apoio para a próxima temporada, o gestor do departamento de futebol do clube ponta-grossense, Dorli Michels, faz um balanço positivo do trabalho realizado e promete fazer ajustes para buscar melhores resultados já no Campeonato Paranaense a partir de janeiro.

Foto: Dorli Michels

JORNAL DA MANHÃ – No balanço de 2010 foram mais acertos ou mais erros? As metas foram atingidas?

DORLI MICHELS – Nós avaliamos que sim porque iniciamos em 2008 e quase chegamos e tivemos aquela dificuldade que todos já sabem. Conseguimos poder disputar em 2009 e subimos que era o principal objetivo pelo fato do Operário ter ficado muito tempo na Segunda Divisão. Nos preocupamos muito no Paranaense porque era nossa 1ª experiência administrando o futebol em uma Primeira Divisão. Sabíamos da dificuldade e felizmente conseguimos o objetivo, ficando em 5º e tendo a vaga ainda para a Série D. Dentro do paranaense o objetivo totalmente atingido. Já dentro da Série D uma experiência totalmente nova, um Campeonato Brasileiro, mais longo e orçamento apertado, com mais custos e mais dificuldades. Então adequamos a equipe à nossa realidade e os resultados foram acontecendo. Fomos avançando e é claro que quando ganhamos os objetivos ficam maiores. Tivemos tão perto da Série C, mas avaliando de duas formas. O campeonato foi bom, mas o último mata-mata não. E foi esse ultimo mata-mata que trouxe os reflexos do que é a nossa realidade, dentro de nossa estrutura, que é com muitas dificuldades. São coisa que aconteceram. Tem erros e acertos sim, mas eu diria que foram mais acertos do que erros.

JORNAL DA MANHÃ – E esses resultados dão uma perspectiva melhor para 2011, principalmente com mais apoio e investimento?

DORLI – Nós precisamos desse apoio e desses investimentos. Na Série D, por exemplo, que não oferecia TV, não oferecia muita coisa, não conseguimos muitos investimentos. Foram menores do que o Paranaense num campeonato mais dispendioso e com menos recursos foi realmente mais difícil. Estamos otimistas que realmente vamos conseguir um apoio maior para o Paranaense, mas isso não está confirmado ainda. Mas tendo mais recursos é lógico que a gente pode trabalhar com um elenco maior, mais qualificado e pode buscar jogadores que custem mais para ter também mais retorno dentro de campo. Sabemos também em 2010 o Operário foi um franco atirador. O pessoal não botou muita fé no nosso time e quando viram a gente já tinha chegado. Agora para 2011 sabemos que o pessoal vai tratar o Operário diferente. Vão jogar mais fechados, serão jogos muito mais difíceis. E no Estadual temos que fazer um elenco mais qualificado, temos que ter um elenco grande, com lesões e suspensões, que são coisas normais de um campeonato. E por isso estamos nos preparando e começando todo o planejamento para que possamos no dia 1º de dezembro começar a pré-temporada para a disputa do Paranaense.

JORNAL DA MANHÃ – E você acha que faltou em algum momento um apoio maior por parte do empresariado de Ponta Grossa?

DORLI – Se você analisar que não conseguimos nem fechar o patrocínio das costas na camisa eu digo que sim. Agora todos nós sabemos que isso é investimento, é marketing. Então se de repente as empresas não acreditaram nesse projeto de Série D foi lamentável porque deixaram de mostrar a sua marca, porque passa na TV, sai nos jornais. E nesse sentido sim falta de investimento, mas não podemos ficar cobrando a cidade, os órgãos, isso e aquilo. Porque na verdade a instituição Operário é privada e tem que ter as suas próprias receitas e tem que buscar solução. Agora é claro que se olhar contra o Madureira foi feita uma festa com todos lá e todos apoiando. Em Joinvile e contra o Metropolitano vimos a união em torno do time. São coisas diferentes e situações diferentes. Porque aqui temos estádio próprio, despesas com manutenção. É fácil chegar e dizer que o Joinville tem um estádio maravilhoso. Não tem. Quem tem é a cidade. Então não podemos aqui reclamar que faltou isso e aquilo. É claro que poderíamos ter mais, mas não estamos de maneira alguma reclamando ou chorando. Isso é um negócio e tem que oferecer um contrato de marketing e algo que eles também possam ter retorno. Estamos esperando a tabela e a grade de jogos com TV para negociar e buscar mais recursos para melhorar o nosso trabalho.

JORNAL DA MANHÃ – Um grupo gestor, depois você e o Franco Menezes e agora sozinho no projeto?

DORLI – Olha, na verdade esse sozinho é muito relativo, porque na verdade a mesma equipe de trabalho que estava com três, dois ou um é a mesma. O que precisa é ter uma equipe sólida, boa de trabalho, onde cada um é responsável por seu setor. Se teve alguma parte sobrecarregada, vendo onde erramos e onde podemos melhorar nós temos certeza que sem inchar o quadro dará certo. Não precisa ter 10 para mandar, basta saber delegar e cobrar das pessoas que ficaram encarregadas e por isso o planejamento para 2011 reflete também nesse sentido, distribuindo melhor as funções, sem onerar muito.

JORNAL DA MANHÃ – Com todas as dificuldades e principalmente as cobranças, você chegou em algum momento a pensar em desistir do projeto?

DORLI – Nós quando viemos para esse projeto tínhamos um objetivo e continuo tendo esse objetivo. E o que é esse objetivo? Já melhoramos bastante. O Operário tinha muitas dificuldades, nós ainda temos e temos outras pára melhorar. Em termos de estrutura de estádio fizemos algo, mas tem coisa ainda para fazer. E os objetivos estão sendo alcançados, Às vezes até rápido demais e isso assusta também. Chega sobe, é quinto, fica perto da Série C e de repente Copa do Brasil. Então é preciso ter os pés no chão para não se empolgar e fazer coisas que depois podem te arrebentar. Mas em nenhum momento pensei eu em desistir, porque tenho meus objetivos e quero chegar lá. Uma gestão só pode ser boa quando o gestor tornar isso aqui auto-suficiente e se gerir sozinho. O objetivo é fazer um orçamento sem depender de renda. Ainda não dá, mas está chegando a hora. E eu acredito que nesse Paranaense a gente vai conseguir com a cota de TV, torcida, renda, patrocínios de ser sim auto-suficiente. Não quero ganhar dinheiro em cima disso, não agora, mas vai se pagar sem ter que colocar dinheiro. E depois como que se tira dinheiro? É a aposta na base, o que vem sendo feito com parcerias, por exemplo, nesta campanha da Copa Tribuna e queremos daqui a dois ou três anos – se tudo der certo – que a gente tenha jogadores de base subindo para o profissional para daí sim fazer o que os clubes fazem para sobreviver que é revelar jogador. Se puder ser de imediato melhor, mas é difícil, mas é a médio e longo prazo ter os jogadores formados em casa para fazer girar e tornar o clube auto suficiente.

JORNAL DA MANHÃ – E a torcida? Divisão de Acesso casa cheia. Paranaense foi bom, mas faltou na Série D? Sentiu falta do torcedor ou acaba sendo um processo natural de se acostumar com calendário cheio o ano todo?

DORLI – Eu confesso que nós esperávamos pelo menos igual ao do Paranaense, que foi bom. Mas como não teve o apelo de clássicos regionais, então realmente foi essa diferença. Se joga aqui contra o Serrano é casa cheia. Contra o Iraty é casa cheia e contra o Joinville e o Metropolitano, por exemplo, não é a mesma coisa. Então eu acredito que o Paranaense vai trazer isso de volta, trazer o torcedor para assistir esses jogos e os duelos contra os times da capital. A meta é fazer média acima de 4,5 mil pessoas que é um publico muito bom, mas logicamente que para isso também temos que ter um time que corresponda dentro de campo. E se estiver ganhando e com possibilidade de chegar, ser campeão do interior, a torcida virá em número bem maior. Por isso estamos nos preocupando também em montar um bom time, porque ele traz também bastante torcedor.

JORNAL DA MANHÃ – E Operário com a estrutura que tem já teria chegado ao seu limite. Ou pode mais e vai crescer?

DORLI – Claro que pode. Ponta Grossa é uma cidade com mais de 300 mil habitantes, o Operário é um clube quase centenário, tem muita torcida, tem muita força. É uma região muito forte. E o nosso projeto para o ano que vem é fazer um bom paranaense para que possamos buscar de volta essa vaga para a Série D, com calendário o ano todo e bem estruturado fazer o que os outros clubes fizeram com elencos maiores e mais qualificados. Isso para que nós possamos atingir a Série C, que será com ponto corrido e um calendário completo, o que fica muito melhor para trabalhar. Então o Operário tem espaço sim e estando o gestor ou não, mas o clube Operário, que a instituição que é muito grande. E não é só sonhar não, o estádio é só dar uma melhorada, fazer algumas coisas porque já tem capacidade para mais de 10 mil. E o time tem que ser montado e a cidade na hora que entender que o clube pode realmente chegar e pode crescer ela virá junto naturalmente. Mas a gente tem que ter paciência porque não pode em dois ou três anos querer mudar uma história de quase 15 anos de dificuldade. Quanto tempo ficou parado. Mudou de nome, um bom tempo na Divisão de Acesso. É uma mudança e o que temos que fazer é melhorar e fazer com que o torcedor venha com a gente e venha buscar o sucesso juntos.

JORNAL DA MANHÃ – E 2011? O quê o torcedor e a cidade podem esperar do Operário?

DORLI – Podem esperar da nossa parte muito trabalho e muito empenho. Inicialmente planejamento para ter um time competitivo e aí tendo o time é chegar para disputar o título de campeão do interior, a vaga na Série D e até mesmo para a Copa do Brasil, que ainda não está oficializada. Podem esperar sim um empenho máximo e trabalho, trabalho e trabalho. Isso é o que nos podemos oferecer e espero que os resultados aconteçam para que cada vez o torcedor venha e se entusiasme com o time.

Por Alexandre Costa (JMNews – 31/10/2010).

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