Na primeira vez em muitos anos em que o único clube de futebol profissional da cidade tem duas chapas concorrendo, a eleição do Operário Ferroviário ganha contrastes importantes, sobretudo por conta do simbolismo envolvendo o próximo mandato. O presidente que for eleito no próximo dia 11 de dezembro, estará à frente do clube quando completar cem anos desde sua fundação.

Carlos Roberto Iurk concorre a seu terceiro mandato à frente do Operário, enquanto que o empresário Marcos Zampieri, como oposição, busca, pela primeira vez, assumir um cargo como dirigente. Entre as propostas de Iurk estão o aumento e reforma do Germano Krüger, crescimento no número de sócios, ampliação da sede do clube, entre outras.

HISTÓRIA Carlos Roberto Iurk, com troféu do Estadual de 1962, conquista mais importante do Operário, ressalta suas ligações históricas com o clube

HISTÓRIA Carlos Roberto Iurk, com troféu do Estadual de 1962, conquista mais importante do Operário, ressalta suas ligações históricas com o clube

No próximo domingo o Diário dos Campos irá ceder ao candidato Marcos Zampieri o mesmo espaço contendo suas propostas e informações sobre sua candidatura.

‘Raízes alvinegras’
Empresário, proprietário de um despachante há mais de 30 anos, Carlos Roberto Iurk se define como alguém com ‘raízes fortíssimas no Operário’. Ex-integrante de equipes das categorias de base do clube, teve familiares que atuaram pelo time profissional. Há pelo menos vinte anos atua na diretoria do clube, sendo que desde 1992 participa ativamente da direção, seja como presidente, ou algum cargo no primeiro escalão. Durante este período o Operário viu seu time de futebol profissional ser extinguido e ressurgir, em meio à várias parcerias, e no ano passado, finalmente conseguindo voltar à elite do futebol estadual.

Este ano, após três anos de terceirização do futebol profissional, o clube voltou a disputar um competição nacional após mais de uma década, a Série D do Campeonato Brasileiro, ficando próximo do acesso à Série C. “Estivemos aqui, sem arredar o pé, nos piores momentos, nunca fugimos e nunca colocando em risco um centímetro do patrimônio do clube”, assegura.

O atual presidente do Operário admite as necessidades do clube, mas defende um ajuste gradual destes problemas.

“Sabemos o que precisa ser feito e dos problemas. Mas também sabemos que é preciso fazer isso gradativamente, sem qualquer tipo de loucura”.

Sem poder de voto, organizada elabora documento com propostas a candidatos
Sem poder decisivo na eleição, já que são poucos os integrantes com direito a voto, os torcedores organizados prometem acompanhar de perto a primeira eleição com ‘bate-chapa’ em muitos anos no Operário.

A Trem Fantasma está elaborando um documento com cerca de 25 tópicos, a ser entregue aos dois candidatos à presidência. Nesta lista estariam as principais reivindicações dos torcedores, e sugestão para que sejam tomadas como propostas. “É uma eleição importante por conta deste bate-chapa, agora é o momento de propostas serem apresentadas, e embora a maioria dos integrantes da nossa torcida organizada não ter direito a voto, estamos elaborando um documento com 20 a 25 tópicos que será entregue às duas candidaturas, esperando que sejam aceitas como propostas”, explica Thiago Moro, vice-presidente da Trem Fantasma, sócio do clube, mas ainda sem condições de voto.

Um dos principais tópicos desta lista de propostas é o estádio Germano Krüger, na opinião de Moro, deficitário há alguns anos. “É um estádio com problemas nas entradas, e que de uma maneira geral não oferece o conforto necessário aos torcedores”.

O simbolismo da escolha do presidente que ficará à frente do clube em seu centenário é reforçado por Moro. “Cem anos não é todo dia. Então é preciso que fique marcado por algo importante, como por exemplo, a criação de um hino, que até hoje o clube não tem. E a eleição não é somente o presidente, é preciso que se crie uma diretoria forte”.

As propostas de Iurk
Para o estádio
Criação do projeto ‘Sócio Centenário’, no qual prevê a arrecadação junto a cem ‘sócios nobres’ um valor que poderia chegar até R$ 1 milhão. Esta quantia seria aplicada integralmente no Estádio Germano Krüger
Aumentar a capacidade do estádio de 10 mil (segundo cadastro da CBF) para 15 mil pessoas.
Reestruturação de banheiros, entradas, bilheterias e cabines de imprensa
Criação de camarotes

Para o clube
Campanha para recuperação de títulos desativados.
Construção de um ginásio com academia, que seira usado por sócios e time profissional.
Reformas na secretaria

Para o futebol profissional
Projeção de metas, como, ‘no mínimo’, 3º lugar no Campeonato Paranaense.
Acesso à Série C nacional
Disputar Série B do Brasileiro, como ‘presente’ nos cem anos do clube

Parceira com os atuais gestores do time
Acompanhar de perto o que vem sendo feito
Realizar alguns reajustes, caso necessários
Ampliar e dar respaldo à novos parceiros
Rompimento somente em casos ‘extremos’

Por Jeferson Augusto (Diário dos Campos – 21/11/2010).

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