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Para disputar campeonato nacional que inicia em julho, Operário terá de encarar longas distâncias, equipes de renome nacional e nenhuma ajuda da CBF

Ao confirmar sua presença na Série D do Campeonato Brasileiro, o Operário Ferroviário aceitou participar de um campeonato cuja principal característica são os desafios. Longas distâncias, equipes de tradição e pouca remuneração compõem o cenário da quarta divisão nacional, que está apenas em sua segunda edição.

O primeiro grande desafio é lidar com as grandes distâncias. Com representantes de todas as regiões do país, a competição nacional obriga seus participantes a percorrem longas rotas, sobretudo pelas estradas, já que são poucos aqueles que utilizam o transporte aéreo. Somente na primeira fase, em seis jogos, contabilizando as viagens de ida e volta, o time ponta-grossense irá rodar 3036 quilômetros em um período de pouco mais de um mês. Para efeito de comparação, em 22 jogos do campeonato paranaense deste ano, o Operário percorreu pouco mais de quatro mil quilômetros em três meses.

E caso o time ponta-grossense sobreviva à primeira fase e aos seguintes ?mata-matas? das fases consequentes, a tendência é que o acúmulo de quilômetros rodados aumente ainda mais. Na edição do ano passado, por exemplo, a fase final da Série D tinha equipes do Pará e Rio Grande do Norte. O máximo de distância que o time de Vila Oficinas pode percorrer neste ano são os 4,6 mil quilômetros até Boa vistas, em um hipotético encontro entre Operário e Baré, representante de Roraima.

As longas viagens devem ser apenas um adicional na disputa por um lugar na Série C do ano que vem. A quarta divisão do Brasileirão conta com equipes que já pertenceram à elite nacional e que buscam se reerguer. São os casos do Botafogo de Ribeirão Preto, Santa Cruz, de Pernambuco, além do América do Rio, que tem Romário à frente do projeto ambicioso de resgatar um dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro. A própria chave do Operário conta com um nome que já foi forte no cenário nacional, o Joinville. 33º colocado no ranking nacional da CBF, o time de Santa Catarina deve ser a grande força do grupo A9.

Das quatro equipes integrantes da chave, o time catarinense ? que ficou com o vice estadual ? é o único em atividade (disputa a Copa Santa Catarina), e deve ter torcida em grande número quando atuar em casa. O Joinville ostentou uma média de mais de cinco mil pagantes em seu jogos pelo estadual, e em partidas decisivas, como a final com o Avaí, teve mais onze mil pessoas apoiando na Arena Joinville.

O estádio catarinense, inclusive, é o que dispõe maior capacidade para público em sua chave. Apto a receber 22 mil expectadores, a Arena supera os estádios do Oeste (dos Amaros, capacidade máxima de 15 mil pessoas), São José (Passo D?Areia, nove mil torcedores) e Operário, dono do menor estádio entre os quatro times, com o Germano Krüger podendo receber 8620 pessoas, todos os dados baseados no Cadastro Nacional do Estádios, feito pela CBF no começo do ano.

Um último desafio da Série D Nacional está nos altos custos. A CBF não prevê qualquer tipo de ajuda aos participantes da quarta divisão, e no ano passado o São Raimundo, do Pará, foi o campeão com muitas dificuldades. Com uma folha de pagamento de aproximadamente R$ 50 mil mensais ? especula-se que as despesas mensais do Operário no Estadual seria o dobro ? a equipe encarou problemas financeiros durante o campeonato e só conseguiu se manter na reta final do torneio graças à ajuda estatal.

Equipe busca formar “seleção estadual”
Para encarar o desafio de uma competição nacional, o Operário estaria correndo atrás de reforços dentro do próprio estado. A opção é por manter a base da equipe quinta colocada no Paranaense, com a renovação de Osmar, Cassiano, De Lazzari, Leonardo, Serginho Paulista, Dario, Vinícius, entre outros jogadores que compuseram o elenco no primeiro semestre. A intenção do clube alvinegro é renovar com oito a dez jogadores que atuaram pelo Operário no Paranaense deste ano.

Os reforços seriam jogadores já conhecidos do torcedor alvinegro, vindos de adversários do Operário. Caso dos goleiros Gottardi ou Rudi, do meia D?Angelo, além de Cambará, que já esteve em Vila Oficinas no ano passado.

Estes jogadores estariam sendo contatados pela direção do Operário, que pretende iniciar a montagem do elenco na próxima semana, porém, o contato com estes jogadores já estaria sendo feito pela direção do Operário.

Por Jeferson Augusto (DCMais – 23/05/2010).

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